Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego
O que é a CITE
O que faz a CITE
Mulheres e homens - Trabalho, emprego e vida familiar
Igualdade e não discriminação
Protecção da maternidade e da paternidade
Conceitos e normas
Projectos

Legislação nacional
Legislação comunitária
Jurisprudência nacional
Jurisprudência comunitária
Instrumentos nacionais
Instrumentos comunitários
Base de dados sobre género
Relatório de actividades
Pareceres da CITE
Publicações

 

Logótipo da CITE
 

Outubro 2002

Intervenção do Ministro da Presidência na sessão de abertura do Projecto "Garantir os Direitos em matéria salarial"

"Garantir os Direitos em matéria salarial"

Projecto promovido pela CITE no âmbito do 5º Programa de acção relativo à estratégia comunitária em matéria de igualdade entre mulheres e homens

Hotel Tivoli Sintra, 7, 8, 9 de Novembro de 2002

Exma. Mme. Frédérique Fastré, Exma. Senhora Presidente da CITE, Dra. Maria Josefina Leitão, Minhas Senhoras e meus Senhores,

Antes de mais, quero saudar todos os participantes nesta acção de formação/sensibilização/debate, em especial, aqueles que, pela primeira vez, visitam o nosso país, e exprimir-lhes os meus votos de que o Projecto "Garantir os direitos em matéria de igualdade salarial", de que a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego é promotora, e que se insere na Estratégia Europeia para a Igualdade entre Mulheres e Homens (2001-2005), seja coroado de sucesso.

Desejo igualmente agradecer à Comissão Europeia, na pessoa da Mme. Frédérique Fastré, aqui presente, e ao Tribunal de Justiça, na pessoa do Advogado Geral, Senhor Colomer Dámaso, a sua disponibilidade para participarem nesta acção, que se reveste para mim de grande significado, dadas as particulares responsabilidades que assumo, no Governo, na área da igualdade de género.

Não vim para fazer uma intervenção de fundo sobre o tema que vos reúne, pois trata-se de uma matéria de grande tecnicidade e fazê-lo seria retirar tempo a outras intervenções.

A minha presença é de estímulo. Procura chamar a atenção para um tema que nos reporta aos mais básicos direitos humanos: no direito ao trabalho e ao emprego, e na garantia de igualdade salarial entre as mulheres e os homens, estão os fundamentos de uma sociedade mais justa e uma sociedade mais justa é também uma sociedade mais feliz.

A qualidade dos parceiros transnacionais neste projecto, que incluem:
• Ministère de la Promotion Feminine do Luxemburgo,
• Office of the Director of Equality Investigations da Irlanda,
• Dipartimento per le Pari Opportunitá da Presidenza del Consiglio dei Ministri da Itália,
• Gender Equality Ombudsman da Noruega,
e, ainda,
os parceiros nacionais, de que fazem parte o Conselho Superior da Magistratura, o Conselho Superior do Ministério Público, o Centro de Estudos Judiciários, a Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, a Direcção Geral da Administração Pública, a Direcção Geral das Condições de Trabalho, a Inspecção Geral do Trabalho, a Inspecção Geral da Administração Pública, a Inspecção Geral do Ministério da Segurança Social e do Trabalho, a Associação Portuguesa de Management e a Associação Portuguesa de Gestores de Recursos Humanos,

e as especiais qualificações dos formadores e dos formandos, são uma garantia de que esta acção contribuirá, de maneira decisiva, não só para melhorar a actuação das entidades nela envolvidas, mas também para o aperfeiçoamento da legislação sobre a igualdade salarial e os mecanismos que garantem a sua aplicação.

Por outro lado, sendo a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego uma entidade tripartida, em que têm assento os parceiros sociais, os quais são parte integrante deste Projecto, não tenho dúvidas de que colherão da informação que irá ser fornecida sobre a forma como os diversos sistemas europeus asseguram a aplicação do princípio da igualdade de remuneração entre trabalhadores masculinos e femininos, por um trabalho igual ou de valor igual, exemplos de boas práticas, que poderão transpor na negociação colectiva e ser implementados nas empresas.

Acresce que um melhor conhecimento do direito comunitário em matéria de igualdade salarial e da riquíssima jurisprudência desenvolvida pelo Tribunal de Justiça, neste domínio, constituirá uma mais valia para aqueles a que cabe aplicar o Direito.

No seu Programa, o XV Governo Constitucional, a que me honro de pertencer, considera que a eliminação da discriminação em função do sexo e a construção da igualdade de direitos e de oportunidades entre mulheres e homens reveste importância fundamental para a promoção e protecção dos direitos humanos, assim como para a qualidade e o aprofundamento da democracia.

Nestes termos, o Governo comprometeu-se a ter presente na sua acção, a todos os níveis e em todas as áreas, a preocupação da integração da perspectiva de género, como uma estratégia indispensável para a igualdade, na linha das orientações contidas na Plataforma de Acção de Pequim e sua posterior actualização.

Na área da Igualdade, o Governo assumiu como áreas prioritárias de intervenção, designadamente: o cumprimento rigoroso da legislação sobre trabalho e emprego, na qual se inclui a respeitante à igualdade de remunerações entre trabalhadores masculinos e femininos; a efectiva protecção da maternidade e a conciliação da vida profissional e familiar, pondo em prática medidas inovadoras de organização do trabalho e do tempo de trabalho, procurando sensibilizar os parceiros sociais e incentivar as empresas para que adoptem medidas que a facilitem, bem como harmonizar os horários das escolas, serviços e transportes com o mesmo objectivo.

Dados os fins que nos propomos atingir, é com o maior interesse que vou acompanhar os resultados desta acção, que contribuirão certamente para a definição de novas políticas em matéria de igualdade.

Permitam-me que refira um exemplo recente, português, que bem ilustra a necessidade de melhor conhecermos e sabermos interpretar estas matérias, à luz da mais correcta perspectiva.

De acordo com dados do Eurostat, obtidos com base no Painel europeu dos agregados domésticos, respeitantes aos anos de 1997 e 1998, a posição de Portugal em relação aos outros Estados da União, no que se refere às diferenças médias de remunerações líquidas entre homens e mulheres, é favorável. Esta situação poderá encontrar explicação na forte representação das mulheres em postos elevados da administração pública.

No entanto, se forem utilizados os dados disponíveis (1995) do Inquérito europeu sobre a estrutura dos salários, que abrange apenas o sector privado, esta situação inverte-se, pois o ratio entre as remunerações das mulheres e dos homens, em Portugal, não ultrapassa os 72%. Devo referir que os dados dos Quadros de Pessoal do Ministério da Segurança Social e do Trabalho, que também só consideram o sector privado, respeitantes ao ano de 1999, apontam para valores próximos destes últimos.

Minhas Senhoras e meus Senhores,
Impõe-se que na Europa que temos vindo a construir, a democracia seja consolidada dentro de cada Estado Membro para que se fortaleça, também, ao nível das instâncias comunitárias. No entanto, como bem sabemos, muitos dos problemas que identificamos, e que convictamente queremos combater, não têm soluções fáceis.

Debaterão, ao longo dos próximos dias, os mecanismos de aplicação do direito nesta área. Deixem-me lembrar que os problemas vão mais longe do que a salvaguarda dos direitos das pessoas pela lei. Temos a sensação, por vezes, que as leis não são feitas para a realidade humana a que reportam, são frias, e por isso falham no seu objectivo. Tem o legislador consciência da complexidade dos temas sobre que está a legislar?

Portugal é o país da União Europeia onde as mães com filhos até aos 10 anos trabalham mais horas e onde a taxa de feminização da pobreza atinge índices mais elevados; um dos que tem maiores problemas com a maternidade na adolescência e com o abandono da escolaridade obrigatória. Como é isto ainda possível? Estaremos bem conscientes de todas as implicações sociais que estas desigualdades implicam?

A dureza dos números, que devem ser identificados e utilizados com rigor, é um alerta, mas não nos podemos ficar por eles: os números falam de pessoas, de mulheres e homens que no seu dia a dia têm de gerir as suas vidas, as desigualdades a que sempre estão sujeitos.

Por todas estas razões é importante incentivar iniciativas como esta que vos reunirá nos próximos três dias, e por isso vos manifesto o meu apoio. Aproveito para manifestar a meu total apoio à Sra. Presidente da CITE que se tem mostrado incansável na procura de melhores soluções nas áreas por que é responsável.

Não me sendo possível acompanhá-los, como gostaria, estou certo que a coordenação da Dra. Josefina Leitão garantirá o maior sucesso para esta acção. Espero que ensinamentos a retirar desta reunião possam permitir o aprofundamento das políticas da igualdade e que sejam igualmente fonte de inspiração para parceiros sociais na negociação de convenções colectivas.

Muito obrigado e bom trabalho.

Nuno Morais Sarmento

Ministro da Presidência

 


< Voltar
 
 
Mapa do sítio l Como contactar a CITE l Ligações l Perguntas frequentes