| PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Resolução do Conselho de Ministros n.º
86/2007
O Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) é
o documento estratégico para o período 2007-2013, que enquadra
a concretização em Portugal de políticas de desenvolvimento
económico, social e territorial através dos fundos estruturais
e de coesão associados à política de coesão
da União Europeia.
A Resolução do Conselho de Ministros n.º 25/2006, de
10 de Março, definiu as prioridades estratégicas nacionais
a prosseguir pelo QREN e pelos programas operacionais (PO) no período
2007-2013, bem como os grandes princípios de organização
das intervenções estruturais a realizar com financiamento
nacional e comunitário. Estabeleceu ainda uma estrutura operacional
para o QREN segundo três grandes temas de intervenção
- factores de competitividade, potencial humano e valorização
territorial - e definiu um conjunto de orientações sobre
o seu modelo de governação. Estas directrizes permitiram
a prossecução da elaboração do QREN pelo Grupo
de Trabalho Quadro de Referência Estratégico Nacional (GT
QREN), cuja composição e mandato haviam sido confirmados
pelo despacho conjunto n.º 637/2005, de 28 de Agosto.
A definição das dotações financeiras dos PO,
através da deliberação n.º 420/2006, de 31 de
Agosto, do Conselho de Ministros, constituiu orientação
para a conclusão dos trabalhos de elaboração do QREN,
processo que culminou na sua aprovação em Conselho de Ministros,
no dia 11 de Janeiro de 2007. O documento QREN aprovado e entregue em
18 de Janeiro de 2007, pelo Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território
e do Desenvolvimento Regional, à Comissária Europeia responsável
pela Política Regional, constituiu-se como uma versão para
ser discutida entre as autoridades nacionais e a Comissão Europeia
(CE).
Em relação às matérias incluídas no
documento QREN, a CE pronuncia-se sobre os seguintes quatro tópicos:
prioridades estratégicas e lista de PO, envelopes financeiros afectos
a cada PO, avaliação ex ante do cumprimento do
princípio da adicionalidade e acções previstas para
reforçar a eficiência administrativa. Os dois últimos
tópicos respeitam exclusivamente ao território nacional
integrado no objectivo convergência.
Durante o processo de interacção com a CE foram prestados
esclarecimentos adicionais por parte das autoridades nacionais sobre implantação
do QREN no nosso país, tendo estas interacções dado
origem a um conjunto de documentos de informação complementar
que foram anexados ao QREN e do qual fazem parte integrante. Estes documentos
abordam os seguintes temas: modernização da administração
pública, metas de desenvolvimento, parcerias na elaboração
do QREN, avaliação ex ante do cumprimento do princípio
da adicionalidade e regras para a determinação da elegibilidade
das despesas em função da localização e quantificação
dos efeitos de difusão.
Neste contexto, importa validar politicamente o documento QREN acordado
entre as autoridades portuguesas e a CE, através do qual o Governo
visa concretizar 10 objectivos para o desenvolvimento de Portugal:
1.º Preparar os jovens para o futuro e modernizar o nosso ensino;
2.º Qualificar os trabalhadores portugueses para modernizar a economia
e promover o emprego;
3.º Investir mais em ciência e tecnologia;
4.º Reforçar a internacionalização e a inovação
nas empresas;
5.º Modernizar o Estado e reduzir os custos de contexto;
6.º Reforçar a inserção no espaço europeu
e global;
7.º Valorizar o ambiente e promover o desenvolvimento sustentável;
8.º Valorizar o território e a qualidade de vida;
9.º Promover a igualdade de género;
10.º Afirmar a cidadania, a igualdade de oportunidades e a coesão
social.
Estes objectivos visam cumprir as prioridades estratégica do QREN,
a saber:
Promoção da qualificação dos portugueses e
das portuguesas;
Promoção do crescimento sustentado;
Garantia de coesão social;
Promoção da qualificação do território
e das cidades;
Aumento da eficiência da governação.
Assim:
Nos termos da alínea g) do artigo 199.º da Constituição,
o Conselho de Ministros resolve:
Aprovar, nos termos em que foi acordado entre as autoridades portuguesas
e a Comissão Europeia, no decorrer das negociações
políticas e técnicas, o Quadro de Referência Estratégico
Nacional 2007-2013, publicado em anexo à presente resolução
e da qual faz parte integrante.
Presidência do Conselho de Ministros, 28 de Junho de 2007. - O Primeiro-Ministro,
José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.
Quadro de Referência Estratégico
Nacional 2007-2013
Apresentação
O presente documento consubstancia a proposta de Quadro de Referência
Estratégico Nacional (QREN) que constitui o enquadramento para
a aplicação da política comunitária de coesão
económica e social em Portugal no período 2007-2013.
Tributário das orientações políticas definidas
pelo Governo e tomando em consideração as orientações
estratégicas e as determinações regulamentares comunitárias,
a respectiva elaboração foi coordenada pelo Grupo de Trabalho
QREN e beneficiou dos resultados de um significativo processo de interacção
com representantes ministeriais e regionais (que prosseguirá com
vista ao estabelecimento dos Programas Operacionais), de inúmeras
reuniões com responsáveis e protagonistas públicos
e privados do processo de desenvolvimento nacional e, bem assim, dos relevantes
estudos de enquadramento e de preparação do próximo
período de programação da intervenção
estrutural comunitária (designadamente os realizados por iniciativa
do Observatório do QCA III, com o apoio da Comissão de Gestão
do QCA III).
Importa consequentemente assinalar que a concepção, a elaboração
e a implementação do QREN exigem uma forte concentração
e articulação de esforços por parte do Estado, dos
Parceiros Económicos, Sociais e Institucionais e da Sociedade Civil.
O reforço desta articulação e a mobilização
mais intensa e eficaz dos serviços públicos responsáveis
pela gestão das intervenções estruturais, dos beneficiários
e dos destinatários finais dessas intervenções são
apostas nucleares para a eficácia da concretização
dos objectivos propostos neste QREN.
O processo de elaboração do QREN foi marcado por uma primeira
fase de reflexão prospectiva que, subordinada à convicção
de que a identificação das necessárias e desejáveis
trajectórias de desenvolvimento de Portugal requer a mobilização
das competências disponíveis e a divulgação
e debate públicos.
Os esforços de mobilização e participação
dos actores mais relevantes incorporaram naturalmente no processo de elaboração
do QREN desde o seu momento inicial, tendo sido criado um dispositivo
institucional de natureza interministerial e interregional de envolvimento
e para acompanhamento da respectiva preparação, bem como
da relativa aos Programas Operacionais.
Salienta-se, ao longo das várias fases do processo de elaboração
do QREN e dos PO, a participação activa da Associação
Nacional de Municípios Portugueses, cujo empenhamento na definição
da arquitectura do futuro período de programação,
estabelecida na Resolução de Conselho de Ministros n.º
25/2006, contribuiu de forma muito expressiva para o processo de programação.
Destaca-se necessariamente, por outro lado, o envolvimento e a audição
do Parlamento, tendo o projecto de QREN sido objecto de análise
e discussão com os Deputados da Assembleia da República,
designadamente em sede de Comissão Especializada Permanente com
competências nesta matéria.
O QREN beneficiou igualmente de um diálogo de grande proximidade
com o Conselho Económico e Social (CES), órgão de
grande relevância enquanto sede de exercício efectivo da
parceria económica, social e institucional, dotado de competências
privilegiadas de consulta e concertação no domínio
das políticas de desenvolvimento económico, social e territorial.
No mesmo contexto, a elaboração do QREN foi tributária
da apreciação realizada em sede de Comissão Permanente
de Concertação Social.
A finalização do Quadro de Referência Estratégico
Nacional procurou, consequentemente, integrar os múltiplos contributos
dos diversos actores referenciados.
Estas referências não esgotam todavia a elencagem das acções
de debate, de participação e de interacção
concretizadas - seja porque envolveram muitas outras entidades e instituições
(designadamente no contexto das complementaridades também neste
domínio desenvolvidas com o Programa Nacional de Acção
para o Crescimento e Emprego e, bem assim, das realizadas por iniciativa
das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional,
dos Conselhos Regionais e das Associações Empresariais),
seja porque o processo de participação da Sociedade Civil
é dinâmico e continuará a ser prosseguido durante
o debate público dos Programas Operacionais.
Sumário executivo
O Quadro de Referência Estratégico Nacional assume como
grande desígnio estratégico a qualificação
dos portugueses e das portuguesas, valorizando o conhecimento, a ciência,
a tecnologia e a inovação, bem como a promoção
de níveis elevados e sustentados de desenvolvimento económico
e sócio-cultural e de qualificação territorial, num
quadro de valorização da igualdade de oportunidades e, bem
assim, do aumento da eficiência e qualidade das instituições
públicas.
A prossecução deste grande desígnio estratégico,
indispensável para assegurar a superação dos mais
significativos constrangimentos à consolidação de
uma dinâmica sustentada de sucesso no processo de desenvolvimento
económico, social e territorial de Portugal, é assegurada
pela concretização, com o apoio dos Fundos Estruturais e
do Fundo de Coesão, por todos os Programas Operacionais, no período
2007-2013, de três grandes Agendas Temáticas:
Agenda para o Potencial Humano, que congrega o conjunto das intervenções
visando a promoção das qualificações escolares
e profissionais dos portugueses e a promoção do emprego
e da inclusão social, bem como as condições para
a valorização da igualdade de género e da cidadania
plena.
A Agenda para o Potencial Humano integra, enquanto principais dimensões
de intervenção: Qualificação Inicial, Adaptabilidade
e Aprendizagem ao Longo da Vida, Gestão e Aperfeiçoamento
Profissional, Formação Avançada para a Competitividade,
Apoio ao Empreendedorismo e à Transição para a Vida
Activa, Cidadania, Inclusão e Desenvolvimento Social, Promoção
da Igualdade de Género.
Agenda para os Factores de Competitividade, que abrange as intervenções
que visam estimular a qualificação do tecido produtivo,
por via da inovação, do desenvolvimento tecnológico
e do estímulo do empreendedorismo, bem como da melhoria das diversas
componentes da envolvente da actividade empresarial, com relevo para a
redução dos custos públicos de contexto.
A Agenda para os Factores de Competitividade compreende, como principais
vectores de intervenção, Estímulos à Produção
do Conhecimento e Desenvolvimento Tecnológico, Incentivos à
Inovação e Renovação do Modelo Empresarial
e do Padrão de Especialização, Instrumentos de Engenharia
Financeira para o Financiamento e Partilha de Risco na Inovação,
Intervenções Integradas para a Redução dos
Custos Públicos de Contexto, Acções Colectivas de
Desenvolvimento Empresarial, Estímulos ao Desenvolvimento da Sociedade
da Informação, Redes e Infra-estruturas de Apoio à
Competitividade Regional e Acções Integradas de Valorização
Económica dos Territórios menos Competitivos.
Agenda para a Valorização do Território que, visando
dotar o país e as suas regiões e sub-regiões de melhores
condições de atractividade para o investimento produtivo
e de condições de vida para as populações,
abrange as intervenções de natureza infra-estrutural e de
dotação de equipamentos essenciais à qualificação
dos territórios e ao reforço da coesão económica,
social e territorial.
A Agenda para a Valorização do Território acolhe
como principais domínios de intervenção: Reforço
da Conectividade Internacional, das Acessibilidades e da Mobilidade, Protecção
e Valorização do Ambiente, Política de Cidades e
Redes, Infra-estruturas e Equipamentos para a Coesão Territorial
e Social.
A concretização destas três Agendas Temáticas
é operacionalizada, no respeito pelos princípios orientadores
da concentração, da selectividade, da viabilidade económica
e sustentabilidade financeira, da coesão e valorização
territoriais e da gestão e monitorização estratégica,
pelos seguintes Programas Operacionais:
Programas Operacionais Temáticos Potencial Humano, Factores de
Competitividade e Valorização do Território, co-financiados
respectivamente pelo Fundo Social Europeu, pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento
Regional e pelo FEDER e Fundo de Coesão.
Programas Operacionais Regionais do Continente - Norte, Centro, Lisboa,
Alentejo e Algarve - co-financiados pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento
Regional.
Programas Operacionais das Regiões Autónomas dos Açores
e da Madeira, cofinanciados pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional
e pelo Fundo Social Europeu.
Programas Operacionais de Cooperação Territorial - Transfronteiriça
(Portugal - Espanha e Bacia do Mediterrâneo), Transnacional (Espaço
Atlântico, Sudoeste Europeu, Mediterrâneo e Madeira - Açores
- Canárias), Inter-regional e de Redes de Cooperação
Inter-regional, co-financiados pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.
Programas Operacionais de Assistência Técnica, co-financiados
pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional e pelo Fundo Social Europeu.
Em coerência com as prioridades estratégicas e operacionais,
a execução do QREN e dos respectivos Programas Operacionais
é viabilizada pela mobilização de significativos
recursos comunitários - cerca de 21,5 mil milhões de Euros,
que assegurarão a concretização de investimentos
na economia, na sociedade e no território nacionais da ordem dos
44 mil milhões de Euros -, cuja utilização respeitará
três orientações principais:
Reforço das dotações destinadas à Qualificação
dos Recursos Humanos, passando o FSE a representar cerca de 37% do conjunto
dos Fundos Estruturais no Continente (cerca de 35,3% dos Fundos Estruturais
atribuídos a Portugal), aumentando em 10 pontos percentuais a sua
posição relativa face ao QCA III - correspondentes a um
montante superior a 6 mil milhões de Euros.
Reforço dos financiamentos dirigidos à Promoção
do Crescimento Sustentado da Economia Portuguesa, que recebe uma dotação
superior a 5,5 mil milhões de Euros, envolvendo o PO Temático
Factores de Competitividade e os PO Regionais; as correspondentes intervenções,
co-financiadas pelo FEDER, passam a representar cerca de 66% deste Fundo
Estrutural (aumentando 12 pontos percentuais face a valores equivalentes
no QCA III).
Reforço da relevância financeira dos Programas Operacionais
Regionais do Continente, exclusivamente co-financiados pelo FEDER, que
passam a representar 55% do total de FEDER a mobilizar no Continente (aumentando
em 9 pontos percentuais a sua importância relativa face aos valores
equivalentes no QCA III), assinalando-se que a dotação financeira
dos PO Regionais das regiões Convergência do Continente (Norte,
Centro e Alentejo) aumentará 10% em termos reais face ao valor
equivalente do QCA III.
A governação do QREN, cuja eficácia é indispensável
para assegurar a prossecução eficiente das prioridades estratégicas
e operacionais estabelecidas, tem por base a seguinte estrutura orgânica:
Um órgão de direcção política - a Comissão
Ministerial de Coordenação do QREN.
Um órgão técnico responsável pela respectiva
coordenação e monitorização estratégica.
Dois órgãos técnicos de coordenação
e monitorização financeira do Fundo de Coesão e dos
Fundos Estruturais (FSE e FEDER) que, com a Inspecção-Geral
de Finanças, exercem também responsabilidades de controlo
e auditoria.
Lista de siglas
BEI - Banco Europeu de Investimento.
CCDR - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento
Regional.
CE - Comissão Europeia.
CEE - Comunidade Económica Europeia.
C&T - Ciência e Tecnologia.
DGDR - Direcção-Geral do Desenvolvimento Regional.
DG Emprego - Direcção Geral do Emprego, Assuntos Sociais
e Igualdade de Oportunidades da Comissão Europeia.
DG Regio - Direcção Geral da Política Regional da
Comissão Europeia.
DLD - Desemprego de Longa Duração.
DPP - Departamento de Prospectiva e Planeamento.
EEE - Estratégia Europeia de Emprego.
EFA - Educação e Formação de Adultos.
EFTA - Associação Europeia do Comércio Livre.
ENDS - Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável.
ESB - Equivalente de Subvenção Bruta.
EUA - Estados Unidos da América.
FC - Fundo de Coesão.
FEADER - Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural.
FEDER - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.
FEI - Fundo Europeu de Investimento.
FEP - Fundo Europeu para a Pesca.
FSE - Fundo Social Europeu.
IDE - Investimento Directo Estrangeiro.
I&D - Investigação e Desenvolvimento.
I&DT - Investigação e Desenvolvimento Tecnológico.
IFDR - Instituto Financeiro para o Desenvolvimento Regional.
IGF - Inspecção-Geral de Finanças.
IGFSE - Instituto de Gestão do Fundo Social Europeu.
INE - Instituto Nacional de Estatística.
LVT - Lisboa e Vale do Tejo.
NUTS - Nomenclatura das Unidades Territoriais Estatísticas.
OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Económico.
PDR - Plano de Desenvolvimento Regional.
PEC - Programa de Estabilidade e Crescimento.
PIB - Produto Interno Bruto.
PIC - Programa de Iniciativa Comunitária.
PME - Pequenas e Médias Empresas.
PNACE - Programa Nacional de Acção para o Crescimento e
Emprego.
PNDES - Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social.
PNE - Plano Nacional de Emprego.
PNPOT - Programa Nacional de Política de Ordenamento do Território.
PO - Programa Operacional.
PPC - Paridades de Poder de Compra.
PRACE - Programa de Reestruturação da Administração
Central do Estado.
PRIME - Programa de Incentivos à Modernização da
Economia.
PRN - Plano Rodoviário Nacional.
QCA - Quadro Comunitário de Apoio.
QREN - Quadro de Referência Estratégico Nacional.
SIMPLEX - Programa de Simplificação Administrativa e Legislativa.
SNI - Sistema Nacional de Inovação.
TIC - Tecnologias de Informação e Comunicação.
UE - União Europeia.
UNESCO - Organização das Nações Unidas para
a Educação, Ciência e Cultura.
VAB - Valor Acrescentado Bruto.
I - Enquadramento
II - Situação portuguesa
III - Lições para o próximo
período de programação
IV - Objectivos e prioridades de desenvolvimento
V - Organização operacional
do QREN
VI - Governação
VII - Cooperação territorial
europeia
ANEXO I - Modernização da Administração
Pública
ANEXO II - Metas de desenvolvimento
ANEXO III - Parceria na elaboração
do QREN
ANEXO IV - Avaliação ex-ante
do cumprimento do princípio da adicionalidade
ANEXO V - Regras para determinação
da elegibilidade das despesas em função da localização
e quantificação dos efeitos de difusão («spill-over
effects»)
ANEXO - Tipologia Territoriais
dos Estados-Membros
I - Enquadramento
I.1 - Novo paradigma do desenvolvimento económico, social e territorial
A concretização de um novo modelo competitivo,
caracterizado pela produção qualificada e diferenciada,
utilizando recursos mais avançados e específicos em dinâmicas
de resposta a procuras globais (internacionais e domésticas) crescentemente
sofisticadas, com capacidades de venda acrescidas, exprime a dimensão
da tarefa a cumprir para enfrentar com sucesso os desafios colocados à
economia e à sociedade portuguesas pela articulação
entre aprofundamento e alargamento da União Europeia, cujas consequências
em termos de globalização são acentuadas pelas dinâmicas
das economias asiáticas.
As políticas públicas portuguesas devem, consequentemente,
ser fortemente focalizadas, de forma a contribuírem com eficácia
para os ajustamentos estruturais indutores dos aumentos de produtividade
e dos ganhos de capacidade concorrencial que, num quadro de coesão
social e territorial, contribuam para melhorar significativamente o posicionamento
internacional de Portugal.
O reforço da coordenação das políticas macroeconómicas
e estruturais, por um lado, e das políticas regionais e sectoriais,
por outro, por forma a prosseguir rigorosamente os esforços de
consolidação orçamental e de melhoria da eficácia
e selectividade na gestão dos fundos estruturais e do investimento
público, alinhadas com uma plena e realista inserção
na Estratégia de Lisboa - isto é, dirigidos a uma profunda
renovação do modelo competitivo da economia portuguesa -
constituem necessariamente o núcleo central da agenda portuguesa
das políticas económicas numa Europa alargada.
Esta agenda considera, também, que a consolidação
orçamental constitui em Portugal uma condição necessária
da estabilidade macroeconómica, que a qualificação
dos cidadãos e das cidadãs corresponde a uma condição
necessária para a recuperação da trajectória
de crescimento sustentado e para o reforço da equidade e que a
especialização territorial, implicando o estímulo
ao desenvolvimento de dinâmicas diversificadas de descentralização
e clusterização de base regional, representa uma
condição necessária para a obtenção
de níveis mais avançados de coesão económica,
social e territorial.
O mero estímulo ao relançamento do crescimento não
se revelaria suficiente, sendo indispensável concentrar esforços
e recursos duradouros numa profunda renovação dos factores
competitivos e do próprio modelo de crescimento da economia portuguesa,
visando o reequilíbrio da sua inserção externa suportado
pela produtividade e pela capacidade concorrencial em mercados globalizados.
A mera continuidade dos caminhos percorridos nos domínios da educação
e da formação não seriam suficientes, sendo indispensável
concentrar esforços e recursos duradouros numa significativa alteração
dos níveis e padrões de qualificação das cidadãs
e dos cidadãos que, dirigidos a apoiar os indispensáveis
aumentos da produtividade e a posição competitiva nacional,
assegurem condições de adaptabilidade das empresas e dos
trabalhadores(as) e maiores capacidades de resposta às transformações
sociais e das exigências acrescidas sobre a qualidade da prestação
de bens e serviços públicos.
A consideração do território e das cidades como mero
referencial das políticas sociais ou de infra-estruturação
e equipamento público não se mostraria também pelo
seu lado suficiente, sendo indispensável assegurar a plena participação
dos agentes regionais e locais na promoção da competitividade,
do crescimento sustentado e do emprego, estimulando o aprofundamento das
relações institucionais e das complementaridades e sinergias
de base territorial e potenciando a plena e eficiente utilização
dos recursos endógenos disponíveis na correcção
das desigualdades e no aumento da competitividade e coesão regionais.
É neste quadro que se inscrevem as orientações estruturantes
do QREN 2007-2013:
Prioridade à concentração num pequeno número
de Programas Operacionais, assegurada através da sua estruturação
temática e da respectiva dimensão financeira;
Garantia da selectividade nos investimentos e acções de
desenvolvimento a financiar, concretizada por critérios rigorosos
de selecção e de hierarquização de candidaturas;
Maximização da viabilidade económica e da sustentabilidade
financeira das actuações dirigidas à satisfação
do interesse público;
Prossecução da coesão e valorização
territoriais, potenciando os factores potenciando os factores de desenvolvimento
científico e tecnológico, de progresso económico,
sócio-cultural e ambiental específicos de cada região
e contribuindo para um desenvolvimento sustentável e regionalmente
equilibrado;
Exercício consistente da gestão e monitorização
estratégica das intervenções.
I.2 - Renovação da política
regional
Assumindo o referencial político que responsabiliza
a política de coesão económica e social pela redução
das disparidades entre os níveis de desenvolvimento das regiões,
a política regional comunitária para 2007-2013 privilegia
os seus contributos para o crescimento, para a competitividade e para
o emprego.
Esta renovação da política regional traduz-se no
aumento das exigências e das responsabilidades que assim são
conferidas à intervenção estrutural comunitária
que, não sendo mais assumida como apenas promotora da equidade
regional, é chamada a intervir pró-activamente no desenvolvimento
económico das regiões.
A experiência revela que a concretização de políticas
sociais e as dirigidas a melhorar a dotação regional de
infra-estruturas e de equipamentos colectivos nem sempre produziu resultados
significativos no crescimento das economias regionais, cuja evolução
se constata ser dependente ou influenciada pela dinâmicas (positivas
e negativas) que caracterizam as economias nacionais, nem se revelou suficiente
para corrigir desigualdades regionais de desenvolvimento.
Numa envolvente marcada pelo aprofundamento da globalização,
as interdependências entre as economias nacionais acentuam-se -
influenciando portanto, em termos globais, o desempenho económico
das regiões e determinando, naturalmente, o seu necessário
envolvimento na prossecução de objectivos e de prioridades
comuns, partilhadas em termos supranacionais.
A situação específica do desempenho insatisfatório
da economia europeia e a vontade de promover uma dinâmica sustentada
de crescimento com base no conhecimento e na inovação conduziram,
nesse contexto, à definição pelo Conselho Europeu
de ambiciosos objectivos no quadro da Agenda de Lisboa, cuja prossecução
é assegurada de forma empenhada pelos Estados-Membros.
O inerente reajustamento estratégico das políticas comunitárias,
influenciando significativamente a coesão económica e social,
é inteiramente assumido por Portugal que associa à prossecução
dos desígnios da Agenda de Lisboa a superação dos
desafios explicitados pelo reequilíbrio das contas públicas
e pela implementação do Plano Tecnológico.
As responsabilidades da política regional portuguesa são,
neste contexto, mais complexas, determinando a abordagem estratégica
agora adoptada pelo QREN e as prioridades de desenvolvimento dos respectivos
Programas Operacionais.
Também em Portugal a política regional é renovada,
com consequências significativas na valorização do
território e das suas potencialidades diversificadas que, superando
as restrições decorrentes de uma concepção
baseada na referência regional, assume a crescente complexidade
das dinâmicas territoriais em que as cidades e as áreas metropolitanas
desempenham funções centrais na promoção da
competitividade e da coesão.
Afasta-se assim a dicotomia entre políticas públicas nacionais
e regionais de desenvolvimento, em que as primeiras assumem os objectivos
da competitividade e as segundas os da coesão - para consagrar
a partilha das responsabilidades pelo crescimento e pela solidariedade,
prosseguindo coerentemente os objectivos da competitividade e da coesão
do País e das regiões.
Este posicionamento e esta abordagem determinam a atribuição
de inequívoca prioridade à integração eficaz
das intervenções públicas e privadas de investimento
de base territorial, para criar condições favoráveis
à emergência de economias de aglomeração, sobretudo
nos territórios menos desenvolvidos, e assim sustentar a respectiva
capacidade endógena de captação de investimento produtivo
e de geração de riqueza - e, consequentemente, de correcção
das desigualdades sociais.
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